Já repararam como algumas crianças sorriem para pessoas que nunca viram? Como certos animais se aproximam de desconhecidos, procuram uma carícia e ficam ali, tranquilos, como se já os conhecessem há muito tempo?
As crianças ainda não aprenderam a julgar as pessoas pela roupa que vestem, pelo dinheiro que têm ou pela importância que aparentam ter. E os animais não precisam de saber o nosso nome, a nossa profissão ou aquilo que conseguimos na vida.
Respondem à forma como nos aproximamos, ao tom da nossa voz, à tranquilidade dos nossos gestos.
E há pessoas que têm uma maneira muito bonita de estar no mundo. Não precisam de falar alto, de chamar a atenção ou de provar constantemente que são boas pessoas. Basta observar a delicadeza com que tratam quem não lhes pode oferecer nada em troca.
Claro que nem sempre uma criança que sorri ou um animal que se aproxima significa que estamos perante alguém especial. Mas gosto da ideia de que a bondade também se reconhece nas pequenas coisas.
Na paciência com que ouvimos. Na forma como tocamos. No cuidado que temos para não magoar.
Porque a nossa presença também deixa marcas nos outros.
E, se pudesse escolher a maneira como quero ser lembrado, gostava que fosse esta.
Como alguém de quem as crianças não tinham medo, de quem os animais gostavam de estar perto e junto de quem as pessoas podiam ser exatamente aquilo que eram."
Texto de autoria: A Casa das palavras Simples
Ilustração de S. Hee
#acasadaspalavrassimples

Denunciar








