Algumas pessoas carregam universos inteiros nos olhos, o problema é que quase ninguém aprende a olhar. Algumas pessoas carregam universos inteiros nos olhos. Galáxias de histórias não contadas, tempestades silenciosas, esperanças que ainda resistem, luzes que sobreviveram a noites difíceis. Mas quase ninguém percebe. Porque ver e olhar, são coisas diferentes. Ver é passar pelos rostos, olhar é permanecer neles. É ter a delicadeza de enxergar o que existe além da aparência, além das palavras, além do sorriso que o mundo conhece. Talvez a grande pobreza do nosso tempo não seja a falta de beleza, mas a falta de atenção. Porque ainda existem pessoas carregando infinitos dentro de si. O que está raro são olhos pacientes o bastante para contemplá-los. Talvez por essas e outras é que eu tenha a sensação que eu dormi os últimos dez anos. Parece que num dia eu tinha vinte e cinco anos, cochilei e acordei com trinta e cinco. Todo mundo ao meu redor já é gente grande. Eu tenho afilhadas, descobri que tinha um irmão, minhas amizades estão se casando, eu estou no último ano da minha faculdade e todas as fases que eu pensei que durariam pra sempre, acabaram. Os medos já são outros, os problemas também. Eu já não tenho o mesmo rosto, não tenho a mesma voz, o mesmo ciclo de amigos, não vejo a vida do mesmo jeito. Mudei meu cabelo e minha percepção. Tudo é diferente e eu quase não prestei atenção. O tempo não parou de correr enquanto eu olhava pro outro lado. Ele não me espera, não tem pena de mim. E eu vou percebendo, toda vez que acordo desse lapso, que viver é basicamente só crescer e ver as pessoas que você ama crescer também!
— .(Escrito dia 18/06/2026, às 09:03).


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