Criar flog

« Anterior 27/09/2026 - 13:23 0
Texto criado ao som de Carolina Deslandes - FEIA ♬
O que faz uma conquista realmente pertencer a alguém? Quantas pessoas e histórias cabem dentro de uma conquista? No sábado, o BK lotou um estádio para cerca de 50 mil pessoas para celebrar os 10 anos de Castelos e Ruínas, um álbum que ajudou a consolidar sua trajetória e marcou uma geração do rap brasileiro. Ele foi o primeiro rapper brasileiro a fazer um show solo naquele estádio, mas escolheu dividir esse momento com nomes como Marcelo D2, Djonga, Evinha, Ebony, L7, Marina Senna, entre outros artistas da cena. Foi uma celebração enorme de conquista individual, mas também do rap, da cultura e de tudo que foi construído ao longo desses dez anos. E aí no domingo, na quadra da Grande Rio, a Anitta foi coroada Rainha de Bateria. Para realizar a coroação, ela escolheu Eloína dos Leopardos, considerada a primeira Rainha de Bateria do Brasil. A Anitta, apesar de chegar carregando uma carreira gigantesca, contou que antes de aceitar o posto, ela perguntou várias vezes se a bateria estava feliz com a sua chegada. Ela queria saber se o povo da escola realmente a queria ali. Durante a coroação, ela voltou a dizer que só pretende permanecer enquanto a comunidade quiser. Quando eu vi a emoção que ela carregava, se tremendo, com os olhos cheios de lágrimas, eu vi uma artista entendendo o peso e a responsabilidade de estar naquele lugar. Isso diz muita coisa sobre a diferença entre fama e pertencimento. Milhões de pessoas podem conhecer seu nome. Você pode acumular seguidores, vender discos, vender produtos, atravessar fronteiras. Ainda assim, existem lugares em que nada disso responde a uma pergunta. Você pertence aqui? O Carnaval entende isso há muito tempo. Existe uma comunidade por trás daquele espetáculo. Gente que ensaia, costura, compõe, toca, dança. Organiza a escola durante o ano inteiro. E existe também uma história de cultura, identidade e sobrevivência. O samba e o carnaval foram construídos fundamentalmente por comunidades negras em um país que, por muito tempo, perseguiu e criminalizou manifestações culturais negras. No rap, essa dimensão também acontece. O BK podia ter transformado os 50 mil lugares do estágio em uma celebração individual da sua própria trajetória. Em vez disso, ele levou ao palco pessoas e referências que ajudam a contar a história do rap brasileiro. Eu acho que é por isso que os dois acontecimentos me parecem tão conectados. Nas duas cenas existe memória, comunidade e a consciência de que ninguém chega sozinho a determinados lugares. Pra mim, é isso que diferencia ser simplesmente muito famoso de realmente ocupar um lugar dentro de uma cultura. Quando você chega, reconhece e respeita tudo o que aquilo significa, a sua presença põe luz sobre os que vieram antes e quem ocupa esse espaço com você e também deixa um espaço preparado para quem ainda vai chegar. Isso é pertencer e não é para qualquer um.

— .(Escrito dia 27/09/2026, às 12:50)


Comentários
Apenas o dono deste FlogVip pode visualizar os comentários desta foto!

Nome:


Mensagem:


    Saiba como inserir os seus Emoticons
/filtronaveia
Sobre filtronaveia
Goiânia - GO

Denunciar

Últimas fotos

27/09/2026


27/09/2026


27/09/2026


27/09/2026


27/09/2026

« Mais fotos


Feed RSS